Modo referencial

​Excetuando-se eventuais registros nas primeiras duas décadas de existência do cinema, foi a partir da I Guerra Mundial que os filmes de ficção passaram a incorporar cenários pós-catástrofe em suas narrativas. David W. Griffith e Abel Gance podem ser considerados os primeiros a dirigir cenas em locações recém-atingidas pela artilharia do conflito.

 

Já no imediato pós-II Guerra, com equipamentos um pouco menos mastodônticos e as inovações técnicas conquistadas nas décadas de 1930 e 1940, o cinema pôde explorar com grande intensidade os efeitos dos bombardeios, principalmente sobre as chamadas potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Criaram-se ali um gênero (os Trümmerfilm) e uma estética marcada pelo neorrealismo italiano, tendo à frente a Trilogia da Guerra, de Roberto Rossellini.

 

Desde então, o cinema sempre saiu atrás dos vestígios de guerras, catástrofes naturais, desastres da engenharia, vazamentos nucleares, etc. Neste módulo vamos examinar a maneira como as paisagens pós-catástrofe foram tratadas em 37 filmes de várias épocas e gêneros. Em todos eles, o uso dos cenários é referencial, ou seja, diz respeito à própria tragédia que os afetou. Ficamos, então, numa fronteira entre a abordagem documental e a ficcional, uma vez que o estado das locações é – em sua maior parte – real, mas a dramaturgia se vale da invenção de histórias e personagens.

 

Para filmes que atribuem sentidos totalmente ficcionais às paisagens, sem alusões diretas à catástrofe real que as atingiu, ver Modo ressignificante.  

      

 

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